A polícia sabe muito bem quem matou e quem mandou matar Rielson

Exatamente um ano depois do bárbaro assassinato do ex-prefeito de Itagimirim, Rielson Lima, que se completou ontem,  quarta-feira, 29, a polícia da Bahia sabe muito bem quem matou e quem mandou matar o ex-gestor. Ela também sabe os motivos do crime. Aliás, sabe tudo  até em detalhes. Mas, se não sabe – ou aparentemente finge não saber – vamos relembrá-la.

Tudo teria começado quando um grupo de chantagistas tentou emparedar  e extorquir o  ex prefeito, ao pressioná-lo a nomear para tal grupo o comando da Secretaria de Obras do município. A tática e a barganha  usadas  para pressionar o então prefeito teria sido convencer a maioria dos vereadores a não autorizar o remanejamento de verbas, solicitado pelo prefeito. Caso cedesse e entregasse a secretaria nas mãos da quadrilha de salteadores, eles prometiam ao gestor  convencer os edis a autorizar o pretendido  remanejamento.  Assim foi planejado. O grupo que mandou matar Rielson finalmente  achou que tinha encontrado a fórmula mágica de pertencer e se locupletar do poder.

A saída encontrada por Rielson

Mas a gangue quebrou a cara. Sério e com senso de responsabilidade, mostrando que não aceitaria ser refém da chantagem barata usada pelo grupo, Rielson, de forma inteligente, preferiu aliar-se ao seu rival Giovanni Brilhantino, a quem  acabou entregando o comando  da secretaria, a ceder à pressão e chantagem  sofridas.

Com o apoio e a força do ex-prefeito Brilhantino  em favor de Rielson, enfraquecidos, os chantagistas viram  seu sonho de poder e de comandar a secretaria desaparecerem,  e o remanejamento foi autorizado pela Câmara, numa das mais duras e feias derrotas políticas sofridas pelo  grupo. Foi a partir deste momento que a morte do ex-prefeito foi decidida e  começou a ser tramada pelo grupo perdedor na disputa pela Secretaria de Obras de Itagimirim.

Rielson, um prefeito simples, honesto e trabalhador, capaz de chamar o MP para prestar contas e discutir as dificuldades financeiras de Itagimirim, além de pegar o ônibus em frente  à praça em que foi assassinado – veja só, caro leitor, isso quando ia a Salvador resolver problemas do município – pagou com a própria vida a opção de não ceder às vigarices que lhe eram propostas. Isso a polícia sabe muito bem.

Encontro em Itabela

A polícia também sabe que tanto os supostos mandantes do crime, o pistoleiro contratado e seu auxiliar – o cara que se hospedou num hotel e levantou a rotina de Rielson – se encontraram exatamente uma hora após o crime, na cidade de Itabela. Tal descoberta só  foi possível graças à localização dos celulares dos suspeitos, via torres de transmissão e telefonemas realizados, que forneceram à polícia o local  e o horário do encontro. Lá estavam, casualmente – ou nem tão casualmente assim, é claro  – todos os principais  interessados e suspeitos da morte do ex-prefeito, inclusive quem o matou. Eu disse, TODOS! De mandantes ao pistoleiro que efetuou os disparos.

Queima de arquivo

Também é de conhecimento  da polícia, através das mais de 200 horas de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, que o parceiro do pistoleiro João Neto, logo após o encontro em Itabela, se dirigiu para Trancoso, de onde começou a fazer insistentes telefonemas para o grupo, exigindo o restante do dinheiro que lhe fora prometido. Irritados pela pressão e pelos telefonemas comprometedores, o tal assessor do pistoleiro foi convidado  pelo grupo para fazer o acerto final no Arraial, tendo sido assassinado, como queima de arquivo, na estrada que liga Trancoso ao Arraial. Isso a polícia também sabe e provas não lhe faltam.

O serviço de inteligência da polícia baiana também teve acesso à dezenas de outros telefonemas comprometedores envolvendo o grupo de suspeitos do crime de mando político, assim como teve acesso aos telefonemas disparados pelo próprio pistoleiro, e que por muitos meses ficou escondido pelas matas de Guaratinga, até finalmente ser preso pelos policiais, ocasião em que passou pouco mais ou pouco menos de 30 dias preso.

 Com tantas provas e as gravações que possuía, imagina-se que se o pistoleiro  não ficou preso por mais tempo, através de prisão preventiva, ou foi por incompetência,  por desleixo ou por alguma pressão recebida que a polícia não requereu a dilatação do prazo e o manteve na prisão.

Queriam matar Reinaldo  também

As escutas telefônicas autorizadas pela Justiça também possibilitaram à polícia baiana interceptar um telefonema altamente comprometedor e que revelou aos policiais um plano traçado pelo grupo de criminosos para assassinar o irmão do ex-prefeito Rielson, o empresário Reinaldo Lima,  tido pelos integrantes da quadrilha como responsável por estar financiando as operações policiais que poderiam levar o grupo à cadeia. Isso a polícia também sabe. Está tudo gravado.

O papel da imprensa bandida

A polícia também sabe, segundo confidenciou um dos  ex-delegados encarregados pelas investigações a este blog, que até mesmo um jornalista trambiqueiro e imoral, dono de um site de aluguel de  Eunápolis – tinha que ser, sempre ele – foi contratado pelo grupo para desacreditar as investigações realizadas pela polícia, criando versões fantasiosas para o caso. Do tipo que a morte poderia ser decorrente de dívidas do ex-prefeito para com ciganos, uma das grandes mentiras disparadas pelos suspeitos para desviar o foco,  tumultuar e desacreditar  as investigações.

O uso da imprensa irresponsável e venal  de Eunápolis é fato.  O jornalista trambiqueiro caiu no grampo.  Todos sabem a quem me refiro. Só não cito o nome para não dar ousadia a este cidadão, para mim o lixo do lixo do jornalismo regional e o mau caratismo em pessoa. Além disso, basta qualquer cidadão sensato e esclarecido observar as postagens no site, todas tendenciosas, a enaltecer o trabalho do principal suspeito, e atacando os sites que pedem o esclarecimento do crime e a punição dos culpados.

Uma verdadeira aberração e vergonha para a imprensa. Este tal “jornalista”, na verdade um semi analfabeto e que escreve muito mal, com erros gritantes na gramática e na concordância, deveria estar preso há muito tempo. Coisa de gentalha  sem um pingo de responsabilidade, profissionalismo  e amor no coração. Muito menos respeito aos leitores, é claro. Tudo em troca de um mensalinho patrocinado pelo principal suspeito de ser o mentor do crime.  Um dia a casa cai. A que ponto chegamos, hein, caro leitor?

Quem tinha o maior  interesse na morte do prefeito?

Pergunta-se, para encerrar: o que leva um caso desta gravidade, com tantas provas e telefonemas interceptados – autorizados pela Justiça –  inclusive com os diálogos e as reações agressivas e destemperadas do principal suspeito em tramar a morte do ex-prefeito – quando anunciamos que o crime estava para ser esclarecido – a passar pelas mãos de nada menos do que três delegados, várias prisões e, mesmo assim, um ano depois, até hoje a polícia não ter desvendado o crime?

Quem está possivelmente segurando a conclusão do inquérito e o indiciamento dos criminosos?  Será mesmo que o inquérito foi concluído, como afirmou a polícia ontem? Qual foi a sua conclusão? Teria a polícia colocado a prometida “pedra de Guaratinga” para abafar o caso e proteger o principal suspeito? Quem tinha interesse direto e imediato na morte de Rielson? Quem se favoreceria com a sua morte?

Não tenho dúvidas que a polícia sabe muito bem quem mandou matar e quem matou o ex-prefeito. Basta agir com seriedade e responsabilidade. É o mínimo que a sociedade baiana espera.

Fonte: Topatudonews.com.br