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Dia das Mães: adotar é romper barreiras e preconceitos

Dia das Mães: adotar é romper barreiras e preconceitos

A rejeição pode ser uma realidade presente na vida de algumas crianças e adolescentes que vivem em abrigos, no entanto, isso poderia ser diferente se os perfis dos jovens encaixassem no que é procurado.

Conforme dados da 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador, existem apenas 30 crianças e adolescentes a espera de um lar e 452 pessoas habilitadas para adotar. 

No especial de Dia das Mães, a equipe de reportagem do Site contatou o juiz Walter Pinheiro da 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador para elucidar questões que perpassam pela adoção, como o por que do número de crianças e jovens para serem adotados ser muito menor do que o de pessoas interessadas em adotar.

 ‘’Só não fecha esse número porque não encaixa na preferência que sociedade tem’’, ressaltou o juiz.  

Segundo Walter Pinheiro, o trabalho principal da 1ª Vara é desconstruir o preconceito que está incutido nas pessoas de quererem crianças do sexo feminino, até dois anos de idade e branca.

‘’O grande problema da adoção consiste na mentalidade cultural, onde há um preconceito voltado a um perfil traçado no sentido de nacionalmente, e na Bahia não é diferente, só que essa não é a nossa realidade. Nós temos em sua maioria meninos de cinco a 17 anos, negros, grupos de irmãos e portadores de enfermidades graves ou crônicas’’. 

A 1ª Vara trabalha de diversas formas para combater os preconceitos e viabilizar a adoção. Conheça alguns métodos utilizados para que a criança ou adolescente tenha pelo menos uma referência de um adulto:

Apadrinhamento afetivo:

Normalmente crianças a partir de 8 anos
Pessoas interessadas em ter uma criança para servir de referência, ou apadrinhar, mas não tem tempo de tê-la dentro de sua casa ou não quer.

Como acontece:

O profissional pode doar um dia por semana ou por mês a forma que achar melhor.

Família hospedeira:

Voltados para adolescentes
A pessoa convive com o jovem apenas em períodos:  fim de semana, ou quinzenalmente

Processo adotivo – ‘’Acho importante desconstruir essa ideia de que a adoção demora, de que existe filas intermináveis. A demora começa na cabeça das pessoas.

Elas têm que entender que quando se quer pertencer a alguém , você não escolhe a raça, jeito do cabelo, pigmentação da pele, enfim, você ama e a partir daí você é amado e criam-se vínculos’’, afirmou o juiz, que completou destacando que o ideal são pessoas que estejam abertas apenas ao sentimento de querer ser mãe ou pai.

Contudo, segundo ele, a sociedade não é dessa forma. ‘’Ela tem regras, tem preconceitos, tem tabus, tem traumas, e isso é o que mais dificulta num processo de adoção’’.  

É necessário ressaltar essas informações para desmitificar a ideia de que as pessoas têm que adotar é um processo demorado.

Ainda de acordo com o juiz, os procedimentos para a adoção são simples, a pessoa manifesta o interesse na 1ª Vara da Infância e da Juventude e apresenta os documentos de identificação, após isso, já inicia o processo de habilitação.

‘’O procedimento de habilitação são as avaliações psicossociais, curso de habilitação e intervenção do ministério público e judicial’’, explicou Walter Pinheiro. 

O amor – Foi o sentimento e a vontade de ser mãe que moveu Izabella Chagas, que já está na sua segunda adoção e afirma com entusiasmo ‘’Não se assuste se tiver o terceiro! O coração continua com essa vontade de amar quem não tem amor’’. 

O apreço pela adoção sempre existiu na vida de Izabella ‘’Desde criança, cresci com essa vontade, pois tinha exemplo de adoção na própria família’’, contou. Além disso, ela sofreu cinco abortos, por causa de uma doença, que na época da primeira adoção, em 2003, ainda não conhecia, a Endometriose. 

A primeira filha de Izabella, Victória, tinha cinco meses e elas se conheceram através do processo de apadrinhamento. ‘’Fiquei apaixonada, foi o verdadeiro amor à primeira vista.

Ela passou um final de semana em minha casa e todos se encantaram. Aí no outro dia já fui ao fórum e dei entrada no cadastro único de adoção, contratei uma advogada e ela deu entrada no processo, com 15 dias consegui a guarda provisória dela’’.

Após quatro anos, Izabella conseguiu a guarda definitiva de Victória, atualmente com 15 anos, e novamente se cadastrou para adotar novamente.

A mulher pontuou que os processos da adoção são necessários, no entanto, acredita que deveria ser flexível para mães que já tivessem adotado, pois agora na segunda adoção, está passando por dificuldades para conseguir a certidão de Enzo, 4 anos. ‘’Poderia ter algumas mudanças para beneficiar mães que já adotaram mais de uma criança.

Quando adotei Enzo tive que fazer um novo cadastro, passar por mais burocracia do que a primeira filha. Ele vai fazer 5 anos e ainda não saiu a certidão dele’’. 

Mesmo com as dificuldades, propagar o amor para outras pessoas que precisam dele, é o que Izabella julga importante e continua com vontade de doar para quem precisa. ‘’Percebi que meu coração transborda de amor e esse amor tem que ser doado para alguém que precisa dele’’. 

 

 

 

Fonte> Bocãonews

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