Entenda por que cristãos e judeus são proibidos de orar no Monte do Templo

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O Monte do Templo, na Cidade Velha de Jerusalém, é considerado um local sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos.

No entanto, o conflito entre as religiões o transformou em um dos lugares mais sensíveis e disputados do mundo.

Para o judaísmo, foi no monte Moriá — onde está localizado o Monte do Templo — que Abraão ofereceu Isaque como sacrifício. Para o islamismo, Ismael é quem foi oferecido ali pelo patriarca.

Os judeus também reforçam que ali foi construído o Templo de Salomão e o Templo de Herodes, que tem como único vestígio o famoso Muro das Lamentações.

Mas para os muçulmanos, o lugar se chama Esplanada das Mesquitas, sendo o terceiro lugar mais sagrado do islamismo depois de Meca e Medina, na Arábia Saudita.

Em meio aos conflitos de interesses religiosos, judeus e cristãos têm acesso livre ao Monte do Templo, mas são proibidos de orar, cantar ou fazer qualquer outra expressão de fé.

Por causa do acordo estabelecido no status que, os atuais edifícios islâmicos no Monte do Templo são administrados pelo Waqf Islâmico de Jerusalém, controlado pela Jordânia.

De acordo com o rabino Yehuda Glick, que também é membro do parlamento de Israel (Knesset), a polícia raramente interfere na oração silenciosa feita por judeus e cristãos, “a menos que o Waqf afirme que há alguma ofensa”.

“Antes, o Waqf jordaniano era muito rigoroso. Eles seguiam cada visitante e vigiavam seus lábios para garantir que não estavam orando”, explicou ao Breaking Israel News.

Onde isso começou?

Quando Israel conquistou a parte leste de Jerusalém em 1967, o então ministro da Defesa, Moshe Dayan, decidiu que seria melhor se o Waqf da Jordânia continuasse administrando o local, denominado pelos muçulmanos de Haram al-Sharif, a fim de evitar um conflito maior com o mundo islâmico.

Dayan decidiu que aos judeus seria permitido visitar, mas não fazer orações, tomando como base a lei religiosa judaica que defende que os judeus não deveriam colocar os pés no cume do Monte por medo de profanar o espaço mais sagrado do templo, o Santo dos Santos.

A partir de então, ficou acertado que Israel seria responsável pela segurança em todo o perímetro do local, enquanto o Waqf de Jerusalém seria responsável pelo que acontece dentro do complexo.

Hoje, o Waqf de Jerusalém controla não apenas o Monte do Templo, mas também escolas, orfanatos, bibliotecas, museus islâmicos, mesquitas, tribunais da Sharia e propriedades residenciais e comerciais em toda Jerusalém.

Para o rabino Glick, a renúncia do Monte do Templo em 1967 foi um movimento ingênuo, no qual Israel acreditou erroneamente que abrir mão do controle de um local sagrado para os muçulmanos criaria uma paz duradoura entre Israel e seus vizinhos árabes.

O pesquisador Joshua Wander também classifica esse acontecimento como “uma das maiores tragédias da história judaica”, de acordo com o Breaking Israel News.

Pedido de mudanças:

Para alguns ativistas israelenses, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deveria recorrer a abertura do local para a oração judaica.

“A legislação israelense prevê a liberdade de culto; qualquer pessoa tem o direito de orar livremente neste país”, destacou Wander.

Da mesma forma, o rabino Glick afirma que a oração deveria ser permitida para qualquer pessoa, com base no trecho bíblico de Isaías 56:7, que diz: “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”.

O pesquisador defende ainda que os judeus deveriam começar a caminhar em busca da construção do Terceiro Templo no Monte do Templo.

“Embora existam leis diferentes sobre culto e sacrifício, o Templo é igualmente importante para judeus e não-judeus”, disse Wander.

Wander também acredita que o ambiente político está maduro, já que “Trump nos deu uma janela de oportunidade” que o governo de Israel deve aproveitar.

“Estamos vivendo milagres com as profecias se desdobrando diante de nossos olhos. Não vai demorar muito mais até atingirmos nossos objetivos”, argumenta. 

 

 

 

 

Fonte> CPADnews