Militância do PT: quem não tatuar Lula Livre está marcado como inimigo

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Quem conhece o sociólogo e linguista norte-americano Noam Chomsky sabe que ele é um dos intelectuais mais respeitados e cultuados pela esquerda internacional.

No Brasil, manteve-se sempre alinhado à agenda petista, sendo quase um talismã para a militância. Mas isso mudou desde dia 02, quando o eminente filósofo declarou que o PT “está desacreditado” e sofreu um desgaste que levou a atual oposição a uma situação de “apatia”.

Não bastasse, apontou Ciro Gomes como um “líder dinâmico” capaz de liderar o campo progressista.

Com essas declarações (a rigor, nem tão polêmicas assim), Chomsky foi solenemente apresentado às intolerância e patrulha ideológicas que a esquerda teima em dizer que são prerrogativas exclusivas da direita.

Sem cair no pecado da falsa simetria, pois há graves diferenças de método e intensidade, o fato é que está cada dia mais difícil defender pontos de vista – em especial os que não se encaixam nos extremos do debate político – sem levar bordoadas.

Em poucas horas, como tem sido praxe, as redes sociais se encarregaram de trucidar qualquer possibilidade de diálogo ou entendimento sobre do que, afinal, Chomsky estava falando.

O notável companheiro foi tratado como traidor, pulha, vendido, reacionário, desorientado, velho, decrépito. Um massacre.

Se há algo a se destacar na trajetória recente do discurso petista é essa violenta superioridade moral. É patológico.

Quem não tatuar Lula Livre nos bíceps nem considerar Haddad um estadista está marcado como inimigo do povo. Todas as boas intenções e o futuro do país pertencem apenas aos que professam essa crença na estrela vermelha.

É risível e, vamos ser francos, não funciona. Mesmo após sucessivas derrotas, insistir em se colocar como referência ética e santuário a ser preservado, o PT segue sua vocação messiânica, com suas hostes sempre prontas para o martírio e a imolação.

Isso é um desserviço não só à própria agremiação, mas ao país. O Brasil só teria a ganhar se houvesse governo e oposição. Bons tempos.