Suspeitos de corrupção, prefeitos continuam nos cargos após um ano de investigação da PF

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Um ano e dois meses depois de realizada a Operação Fraternos, que em 7 de novembro de 2017 revelou suposto esquema de fraudes em 33 licitações de três prefeituras do Extremo Sul da Bahia, cujos contratos somam R$ 200 milhões, a Polícia Federal ainda busca desvendar os elos entre os investigados.

Os principais alvos da operação são os prefeitos Agnelo Silva Santos Júnior (Santa Cruz Cabrália), Cláudia Oliveira (Porto Seguro) e José Robério Batista de Oliveira (Eunápolis), todos do PSD.

Devido ao grau de proximidade entre eles (Agnelo é irmão de Cláudia, casada com Robério) e os demais investigados é que a operação recebeu esse nome.

Por conta da operação, realizada na Bahia, São Paulo e Minas Gerais, que cumpriu 21 mandados de prisão temporária, 18 de condução coercitiva e 42 de busca e apreensão, os gestores ficaram afastados dos seus cargos por cinco meses, por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), mas estão de volta aos cargos.

Os trabalhos de investigação, que pareciam perto do fim com as documentações apreendidas durante a operação, ainda dão muito trabalho à PF e à Controladoria Geral da União (CGU), que no dia da operação enviou 25 auditores para auxiliar os 250 policiais federais nas buscas e ainda também participa da apuração.

Questionada pelo CORREIO sobre o assunto, a CGU informou que já produziu duas notas técnicas relativas a parte dos documentos já apreendidos – uma foi concluída em 9 de agosto de 2018 e outra em 6 de dezembro do mesmo ano.

Ambas, segundo a CGU, já foram enviadas para apreciação da PF.

“Ainda não há autorização para divulgação do conteúdo dos referidos documentos, visto que os mesmos devem subsidiar as denúncias a serem feitas pela autoridade policial”, afirmou a CGU que, devido à operação, já soma R$ 26.874,20 em despesas, entre passagens e diárias a servidores, além de combustível e material de apoio.

Em nota, a Polícia Federal informou que “a demora na conclusão do inquérito policial se deve à extensão dos fatos criminosos apurados, bem como à pendência de perícias contábeis e da análise de parte da documentação apreendida.

A previsão é que o inquérito seja concluído ainda no primeiro semestre de 2019”, afirma a nota. Sobre os gastos com a operação, respondeu que “ainda não calculou a estimativa de custo”.

Investigação ampla:
Para o advogado de defesa de um dos prefeitos investigados, que preferiu manter seu nome sob sigilo, “a PF abriu um leque de investigação muito grande, são muitas pessoas envolvidas.

Então, a polícia deve estar tendo dificuldade”.

Segundo a PF divulgou no dia da operação, as prefeituras envolvidas contratavam empresas relacionadas ao grupo familiar para, supostamente, fraudar licitações, simulando a competição entre elas.

 

 

 

 

 

Fonte> Correio24horas