Temer se defende, critica espetáculo e diz que voltou para casa ‘com muita vergonha no peito’

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Na primeira entrevista desde que foi preso por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, ‘ que o acusou de suposta tentativa de atrapalhar as investigações, o ex-presidente Michel Temer contou como retornou para casa após ser libertado por decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2): “Vim com muita vergonha no peito”, contou Temer à Band, “com muita dor no coração.

Confesso que minha mulher tem uma força extraordinária, assim como meus filhos e filhas”.

E descreveu a reação do filho Michelzinho, de 10 anos: “Quando eu cheguei, ele me abraçou, entendeu tudo.”

Temer também contou como foi a busca pela PF em sua residência: “A polícia entrou com toda delicadeza, devo dizer.

Revirou tudo e saiu com uma sacolinha. Pensou que eles acharam que encontrariam obras de arte, joias, mas saíram só com alguns eletrônicos. Eles foram carinhosos, meu filho de 10 anos não viu nada disso.”

O ex-presidente chamou de “espetáculo” a prisão dele. “Sem um processo formado decretou-se a minha detenção. Para que? Para fazer espetáculo.

Eu sou do mundo jurídico, me formei e depois entrei na vida pública.

Se alguém, delegado, agente da PF viesse a minha casa, escritório e dissesse: doutor Temer, temos aqui um mandado de detenção, peço que nos acompanhe.

O que eu ia fazer? Pegar uma metralhadora e ia eliminá-los? Não, iria cumprir o que a ordem jurídica estabelece. Fizeram um espetáculo.”

Ele definiu ainda de ficção a denúncia da Lava Jato do Rio de que ele seria o chefe de uma quadrilha que movimentou quase R$ 2 bilhões ilegalmente ao longo de quatro décadas, e citou até uma série da Netflix que ficou conhecida.

“A impressão que eles querem passar é de que o Temer reuniu um grupo tipo [da série] A Casa de Papel para roubar o Brasil.

Mas, na verdade, eu reconstruí o Brasil. Isso é ficção, é coisa de gente que não quer perder.”

Segundo a ação, reformas na casa da filha Maristela foram bancadas com dinheiro de corrupção.

Além do ex-presidente e sua filha, viraram réus João Batista da Lima Filho, o Coronel Lima, e a mulher dele Maria Rita Frentzel, proprietários da empresa de arquitetura Argeplan.

Eles são acusados de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa na reforma da casa de Maristela.

Segundo a Procuradoria da República, as obras realizadas entre 2013 e 2014, custaram R$ 1,6 milhão e foram bancadas com dinheiro de corrupção e desvios ocorridos entre 2012 e 2016.

Na entrevista, Temer nega as acusações.

“Esses valores teriam ingressado em 2014, mas minha filha fez a primeira parte da reforma em 2011 e concluiu em 2013.

Como eu saberia que receberia verba no final do outro ano?”, afirma o político, que se dirigiu duramente aos procuradores.